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Museus paulistanos investem em tecnologia e interatividade

Frequentar museus virou programa paulistano. A cidade, que oferece 110 opções, ganhou nos últimos anos espaços que são sucesso de público.
Na lista dos cinco mais visitados, dois foram inaugurados há menos de quatro anos e fazem frente aos tradicionais Masp e Pinacoteca do Estado: o Museu do
Futebol, aberto em setembro do ano passado, e o Museu da Língua Portuguesa, em 2006, que juntos recebem 70 mil visitantes por mês.
Eles se enquadram na categoria dos supermuseus temáticos, como o recém- inaugurado Catavento, no antigo prédio da prefeitura, no centro. Contam com alto
investimento, privilegiam atrações lúdicas e usam prédios históricos como sede.
Veja o videocast sobre o Espaço Catavento
São espaços que inovam naquilo que Marcello Dantas, que ocupou o cargo de diretor artístico do Museu da Língua Portuguesa, chama de "imersão total". Ele
explica: "O conceito incorpora a ideia de presença como algo mais forte do que apenas o testemunho visual. A pessoa sai do museu com a sensação de que
vivenciou uma história e esteve em algum lugar imaginário".
É o que tem atraído quase 30 mil pessoas por mês ao novato Museu do Futebol. O radialista Mário Duarte, 31, levou o filho Lucas Sanches, 6, numa quinta-feira, de
entrada franca. Enquanto o pai examinava fotos históricas na sala Origens, Lucas brincava de girar as paredes que escondem imagens nas costas. "A interatividade
é fantástica.
O museu tem uma linguagem nova, mais divertida e contextualizada", diz Mário, entusiasmado com a possibilidade de ouvir a narração de gols do passado.
A sala preferida da garotada fica no primeiro andar. Foi lá que Lucas bateu bola com o pai num campo virtual projetado no chão. "É mais fácil do que jogar no
verdadeiro." Quem também acompanhou de perto os passos do filho foi Vanessa Alves, 31. Ela aproveitou para saber mais sobre ídolos que brilham fora do
gramado. "A sala das Copas é uma viagem no tempo. Além dos jogadores, ficamos sabendo sobre a vida dos Beatles, da Hebe Camargo e do Silvio Santos."
É esse o trunfo defendido por Leonel Kaz, diretor do espaço. "A grande sacada foi fazer um museu que conte a história do país", afirma. "Isso cria interesse em
todas as gerações, e não só entre aqueles que gostam de futebol."
Uma das atrações mais procuradas, que chega a formar fila, é o desafio do pênalti. O visitante pode chutar a bola e tentar vencer um goleiro virtual, que sempre pula
atrasado na hora de defender a cobrança. A brincadeira fez Lucas Vinícius de Souza, 8, voltar três vezes para a fila, com a camisa do craque Ronaldo.
Polo de cultura
A construção de espaços gigantes de exposição e entretenimento é um dos pilares de metrópoles que querem virar polo cultural. São Paulo fez tal aposta. Seus
museus são importantes chamarizes de turistas. Em 2008, 26% dos 11 milhões de visitantes aportaram na capital atrás de eventos culturais. "A grande praia da
cidade hoje é a cultura, em especial os eventos e os museus", diz Caio Luiz de Carvalho, presidente da SP Turismo.
Sem falar que os 32% que vêm a negócios costumam dar uma esticada de mais dois ou três dias para conhecer atrações como o Museu da Língua Portuguesa. "E
vão gastar mais e gerar receita para São Paulo", salienta Caio.
A ideia de visitar uma cidade por causa de um museu famoso é recorrente. "O museu é a catedral simbólica do nosso tempo", define Marcello Dantas. "É capaz até
de colocar cidades no mapa e criar um polo gravitacional de turismo como poucas iniciativas conseguem."
O caso mais emblemático é Bilbao. A cidade de 354 mil habitantes recebe, em média, 1 milhão de visitantes por ano interessados no Museu Guggenheim, instalado
ali desde 1997. A construção sinuosa desenhada pelo arquiteto Frank Gehry se tornou um dos locais mais visitados da Espanha. Do total de turistas que chegam à
cidade basca, 79% têm como finalidade conhecer o museu.
Diante desse cenário, São Paulo une esforços para se consolidar como capital cultural do país. O marco da explosão de público foi a megaexposição "Mostra do
Redescobrimento", em 2000, com 1,8 milhão de visitantes.
Novos projetos
De olho nesse potencial, novos espaços estão em construção ou em planejamento. Devem ser inaugurados pelo menos dois outros museus, nos próximos anos
em São Paulo: o MAC repaginado, com nova sede no antigo prédio do Detran, no Ibirapuera, previsto para ficar pronto em 2010 -ano em que a cidade deve ganhar
também o Museu da História de São Paulo, na Casa das Retortas.
Há ainda um embrião de um museu do automóvel sendo gestado para ocupar uma área perto do kartódromo de Interlagos. O processo está em negociação com um
colecionador que guarda 300 carros antigos em três galpões espalhados pela cidade. Entre as atrações, Lotus e Ferraris dos anos 20. Deve ser levado a cabo pela
iniciativa privada.
No Catavento, o governo estadual investiu R$ 20 milhões, como parte de um programa de revitalização dos arredores do parque Dom Pedro. A iniciativa segue a
fórmula de combinar instalações de alta tecnologia e atrações interativas para dar aulas de física, química, geografia, matemática e outros temas.
O ambiente é formado por cerca de 250 instalações que simulam experimentos, como um passeio virtual pelo corpo humano. Um labirinto de espelhos permite
aprender conceitos de reflexão e refração graças às distorções das imagens. "Com o advento da internet, o museu atual tem que estar interconectado. O tema do
espaço deve ser ligado a outros acontecimentos da época e abordar a cultura do povo", diz Leonel Kaz. "Museu como depósito de relíquias não funciona mais."








